domingo, 24 de abril de 2011

Caráter I

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1Co 11.1)

Sempre achei essa virtude no apóstolo Paulo que eu gostaria de cultivar em mim que é a sua segurança em se pronunciar, mesmo que isso pudesse levá-lo a consequências imagináveis. Ao dizer essas palavras aos coríntios, ele não só pôs a prova o seu testemunho, como também introduziu o discipulado naquela igreja.

Hoje, estamos muito preocupados em inventar a melhor maneira de discipular a igreja, qual o melhor meio de transmitir o conhecimento que vem da Palavra de Deus ou como iniciar um discipulado... Paulo simplesmente disse o que todo crente deve dizer a um novo convertido. Mas aí, entramos na dúvida e colocamos à prova a nossa fé. "Como alguém, com minhas credenciais, consegue fazer tal afirmação que Paulo fez?"

Temos dificuldade em por fé no nosso testemunho de vida. E nossa dificuldade não para por aí. É um pouco mais grave. Se não consiguimos fazer uma afirmação assim por falta de coragem, convicção, por achar que não somos uma imitação confiável de Cristo, surge um problema ainda mais grave: se não imitamos a Cristo, a quem imitamos?

Fomos criados, gerados. Temos desejos e ansiedades, gostos e vontades e tudo isso expressa nossa natureza, reflete aquilo que somos. Se nossos desejos que nos impulsionam, determinam escolhas, riscos e rumos, então, a VIDA É O REFLEXO DE TUDO ISSO, somo um espelho daquilo que desejamos.

Ao dizer "sede meus imitadores", Paulo não está pretendendo ser melhor, mais santo, mais puro, mais correto que os outros. Ele não se coloca numa posição de destaque com a arrogância comum de líderes narcisistas. Ele apenas reconhece quem adora e diante de quem sua vida é vivida. Seu testemunho nos ajuda a levar a sério o pecado, que é a perversão da imagem, a deformação daquilo para o que fomos criados.
Para Paulo, a verdadeira experiência espiritual não consiste em sentir-se bem, provar sensações ou emoções arrebatadoras, buscar um ajuste social ou psicológico, mas em ser convertido e transformado por Cristo, em esquecer-se das coisas que ficaram para trás e seguir em direção ao prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Talvez, a dificuldade de muitos em fazer esta afirmação que Paulo fez é que temos desenvolvido uma espiritualidade menos pessoal e mais institucional, burocrática, acadêmica e racional. Buscamos mais experiências, informação, estruturas eclesiásticas, programas e sensações espirituais e menos a Jesus e a transformação nEle. Refletimos mais o mundo com suas ambições, ansiedades, temores e ambiguidades do que a Jesus, com Seu amor, graça, perdão e salvação.

"Sede meus imitadores como eu sou de Cristo" é a declaração daqueles que amam a Cristo, que segem no cmainho do discipulado, que não se interessam por nenhuma outra coisa que não seja Jesus e Sua perfeita humanidade. Que não desejam nada a não ser a comunhão com Sua vida, sofrimento, alegria e glória.

Estou farto de convencer alguém de que a escolha por uma vida com Jesus seja melhor do que sem Ele. Que seja o meu testemunho a principal declaração de que vale a pena ter uma vida consagrada a Deus. Para Paulo, não devia ser nada fácil largar sua vida farta, regada de privilégios, em prol do Evangelho. Mas ele decidiu largar tudo "pelo prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus".

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